LETRAS E ARTES



ESCULTURA

Niemeyer diante da escultura que representa sua própria mão,
no Centro Cultural de La Havre



Monumento JK
Brasília -1980- Brasil




"A primeira escultura que criei foi no monumento JK. O alto fuste que, terminado em curva, protege e realça sua figura, esculpida por Honório Peçanha. O protesto foi contrariar os que os desprezavam - a ditadura vigente - obrigando-os a vê-lo todos os dias, sorrindo vitorioso sobre a cidade que construiu e eles desdenhavam."

Monumento Tortura nunca mais
Rio de Janeiro -1986- Brasil

Arco e figura humana em concreto com 25m e 2,5 m de comprimento, respectivamente.

"A segunda escultura que fiz, "Tortura Nunca Mais", representa aquele longo e negro período de tortura que pesou durante 20 anos sobre nós. E a imaginei com a figura humana transpassada pelas forçasdo mal: uma lança com 25 m de extensão."


Mão do Memorial da América Latina
São Paulo -1988- Brasil


Escultura em concreto com 7 m de altura por 5 m de largura


"E eu resolvi fazer uma mão essa mão me persegue a muito tempo fiz uma mão assim como sempre correndo daqui da América Latina. E se vocês me perguntarem o que eu fiz co mais prazer neste projeto. Foi a mão. Foi fazer essa mão de 7 m e instalar como protesto contra esta América Latina tão sacrificada, tão invadida até hoje.

"A terceira escultura foi a grande mão que desenhei, construida no Memorial da América Latina, em São Paulo, com o mapa do continente a escorrer sangue e esta frase elucidatória : "Suor, sangue e pobreza marcaram a história dessa América Latina tão desarticulada e oprimida". Agora urge reajustá-la, uni-la, transformá-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la independente e feliz.


Monumento 9 de novembro
Volta Redonda -1988- Brasil




Placa de concreto com 10 m de altura; lança em concreto com 6,76 m de comprimento.



"Um monemento em memória dos três operários mortos da greve de novembro de 88. (...) tão dramático e contestatório que no dia seguinte à sua inauguração já estava no chão espatifado. Era a direita que surgia com suas bombas e seus desesperos (...) E propus que o pusessem em pé outra vez , com as fraturas à mostra e uma frase que dirigi e assinei : "Nada, nem a bomba que destruiu este monumento poderá deter os que lutam pela justiça e liberdade."


Memorial Gorée-Almadies
Dakar -1991- Senegal
Projeto Escultura em concreto com 80 m de altura.



"A figura do negro cortada numa placa com 80 m de altura lembra os escravos daqueles tempos tenebrosos."

"Minha quinta grande escultura é a do Memorial da Ilha de Gorée, ao largo de Dakar. Denuncia a deportação de milhares de escravos africanos para as Américas. Gosto muito dela como brasileiro, pois temos uma grande dívida de reconhecimento para com os negros."


SERIGRAFIA


Gravura -1987-88- 55 x 55 cm



CENOGRAFIA


 



Cenário de Niemeyer para a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, estreada em 1956.



EDIÇÃO E ILUSTRAÇÃO


 

Ilustração de Niemeyer para o livro de Ferreira Gullar.



Fundada e dirigida por Niemeyer, a revista Módulo começa a ser editada em 1955.Com um golpe militar de 1964, teve sua publicação suspensa até 1975.Em seus números Niemeyer divulgou artigos sobre seus projetos, arquitetura e sociedade, além de trabalhos de outros arquitetos e artistas plásticos. O último número da revista em 1989,foi dedicado ao Memorial da América Latina.

Ilustração de Niemeyer para o livro de Dias Gomes.

Ilustração de Niemeyer para o livro de Carlos Drummond de Andrade.



LITERATURA



Trecho de Nuvens, publicado pela primeira vez em 1989.







"(...) Mas, sempre que viajo, olhar as nuvens é a minha distração predileta, curioso, procurando decifrá-las como se estivesse em busca de uma boa e esperada mensagem. Naqule dia, porém , a visão foi mais surpreendente . Era uma bela mulher, rosada como uma figura de Renoir.O rosto oval, os seios fartos, o ventre liso, e as pernas longas a se entrelaçarem nas nuvens brancas do ceu."

Niemeyer no lançamento de seu livro A forma na Arquitetura - 1980









Edição russa, de 1976, do livro de Niemeyer Minha experiência em Brasília, editado também na França, Japão e Espanha.





Livro Conversa de Arquiteto, publicado em 1994.

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