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"Quando uma forma cria beleza tem na beleza sua própria
justificativa." "A monumentalidade nunca me atemoriza quando um tema
mais forte a justifica. Afinal, o que ficou da arquitetura foram as obras
monumentais, as que marcam o tempo e a evolução da técnica. As que, justas
ou não sob o ponto de vista social, ainda nos comovem. É a beleza a se
impor na sensibilidade do homem." "Na Arquitetura debrucei-me por toda
a vida. Foi o meu hobby, uma das minhas alegrias, procurar a forma nova e
criadora que o concreto armado sugere. Descobri-la, multiplicá-la,
inseri-la na técnica mais avançada, criar o espetáculo
arquitetural."
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"(...) estou convencido que um arquiteto não deve se limitar à
aprendizagem de seu métier. Ele deve ter uma cultura geral, ler os
clássicos, os escritores contemporâneos, para melhor compreender seu
ambiente cultural. (...) eu sempre pensei que um arquiteto de talento deve
saber desenhar e escrever. Ele não poderá fazer nada de grande ou de belo
se não possuir essas duas qualidades. A terceira é a imagem; logo, a
negação de regras."
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Niemeyer com João Saldanha, Antônio Houaiss e outros em reunião do
CEBRADE - Centro Brasil Democrático, 1978. |
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"Sempre acrescentei nas minhas palestras que não dava à
arquitetura maior importância e não havia nada de desprezível nessas
palavras. Comparava-a a outras coisas ligadas à vida e ao homem,
referia-me à luta política, à colaboração que todos nós devemos à
sociedade, aos nossos irmãos mais desfavoráveis. O que se compara à luta
por um mundo melhor, sem classes, todos iguais ?
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"Oscar Niemeyer, o engenheiro Israel Pinheiro e o
presidente cubano Fidel Castro, em 1960.
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"Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os
mais compreensíveis que me convocam como arquiteto sabem da minha posição
ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles.
Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas
amizades."
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"Jamais fui hostil a movimentos de protesto, inclusive dos
países socialistas. É necessário protestar contra a miséria, as
injustiças, as desigualdades. Toda palavra dita com coragem no movimento
só pode merecer minha estima." "Sempre discordei de meus bravos
camaradas quando repetiam que devíamos ser otimistas, que nada adianta
querer constatar o drama da existência, que o importante não é a morte,
mas a perpetuação da espécie. Sempre lhes respondi que nossos filhos,
netos e todas as gerações seguintes terão as mesmas inquietudes sobre o
universo, o futuro do homem, a morte. Eles conhecerão como nós os momentos
de angustia."
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Niemeyer com
Sabino Barroso em visita à favela da Maré.
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"(...) gosto do meu
país; das suas grandezas e misérias; do Rio, das suas praias e montanhas;
dos cariocas, tranqüilos e desinibidos, como se a vida fosse justa e eles
a desfrutavam sem discriminação. Como gosto deste país imenso! Do Norte ao
Sul. Dos mais abandonados a fugirem da seca, sem casa nem comida, marcados
pelo desespero; dos meus irmãos favelados, a ocuparem os morros com suas
revoltas. Como tento desculpá-los quando a vida os transforma e a justiça
dos homens os cerca implacável."
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Di Cavalcanti e Oscar
Niemeyer. |
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"Quando um arquiteto projeta um edifício e olha seus desenhos
na prancheta, ele vê a planta projetada como obra já construída. Em
transe, se o projeto o apaixona, ele nela penetra curioso, a examinar
formas e espaços livres, a considerar os locais onde pensou um painel
mural, uma escultura ou simplesmente um desenho em preto e branco. (...) é
o ato da criação, a integração tão procurada das artes plásticas com a
arquitetura."
"(...) não sou tão ingênuo para seguir os que dão aos
que fazem importância extraordinária e se julgam predestinados, prontos a
entrar na história. Sou realista e sei muito bem como as coisas são
precárias e ilusórias diante do tempo que tudo vai diluir e
esquecer."
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